Comecei a cansar, já faziam duas horas que eu estava ali, talvez até mais. Cavar não é para qualquer um. Eu queria cavar, eu precisava cavar, eu tenho que cavar. Sete palmos não me servem para nada, eu preciso de mais. Dois metros? Acho que é pouco. Quem sabe três. É, três é um bom numero. Minhas mãos começaram a doer e bolhas, de um sangue escuro e grosso, deram as caras. A pá começou a pesar, aquele insignificante pedaço de madeira com uma ponta de ferro, tinha um peso terrível. O cansaço imperava, e em alguns momentos, as batidas em cheio nas pedras enterradas davam um choque que doía no corpo todo. As costas começaram a pedir um tempo, uma pausa de um dia ou dois. Cavava com fúria, com ódio do mundo e das pessoas que nele vivem. Cravava a pá com força na terra molhada, a cada três movimentos bruscos, uma bolha, mais uma vértebra que doía e uma pedra que eu encontrava.
Caí de exaustão, desmaiei de cansaço e de dor. Cavei a tarde toda com um objetivo em mente, dormir o tempo inteiro. Me refugiar do mundo e somente dormir. Dormir em paz.
Escrito por Christofer Silva às 17h03
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|